quarta-feira, 2 de março de 2011

O Milagre de St. Nicholas Du Chardonnet





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Temos a honra de publicar um belíssimo artigo do The Remnant (www.remnantnewspaper.com) escrito por Michael Davies, em 1977, que apresenta a “tomada” da Igreja de Saint Nicholas du Chardonnet (Paris, França).





Apresentação

No domingo, dia 27 de fevereiro de 1977, a Igreja de Saint Nicholas du Chardonnet, em Paris, foi “ocupada” por Católicos tradicionalistas, ou “libertada”, como eles preferem dizer. A igreja estava ainda estavelmente sob o controle deles em 1983 [ndt: e está até hoje], e é certamente a mais popular e próspera paróquia em Paris. Histórias melodramáticas do acontecimento foram circuladas pelos progressistas; existiram até mesmo histórias dando a impressão de que ela [a igreja] caiu nas mãos de um pelotão de uma milícia fascista usando rosários como socos-ingleses! Quando o Papa visitou a França em 1981, um apelo lhe foi feito para que ele celebrasse missa com os paroquianos expulsos na sala de aula que eles tiveram que usar desde que ficaram sem igreja. O Papa não aceitou o convite. Como o artigo que segue deixa claro, Saint Nicholas estava operando como paróquia unida à paróquia de Saint Sérvrin, literamente uma pedra preciosa jogada fora. Existe uma ampla sala nessa imensa igreja para cem vezes o número dos paroquianos da Saint Nicholas, ou supostos paroquianos de Saint Nicholas, que não querem rezar lá agora que a Missa Tridentina é oferecida uma vez mais. Embora, estritamente falando, a ocupação de Saint Nicholas não faça parte da história do rompimento entre o Arcebispo Lefebvre e o Vaticano, que é o assunto deste livro, ela deve ser colocada dentro do contexto histórico desse rompimento – particularmente no que concerne a situação da França. Foi certamente o mais dramático acontecimento no confronto de séculos entre Tradição e Liberalismo ocorrido na França desde a triunfante Missa em Lille há apenas seis meses atrás.



Eu tive a grande felicidade de visitar Saint Nicholas em 12 de abril de 1977. A história que segue é uma que escrevi para o The Remmant de 30 de abril de 1977.



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I








A data: terça-feira, 12 de abril de 1977. O lugar: Paris – mais precisamente a estação de metrô Maubert-Mutualité. O horário: por volta de Apologia Pro Marcel Lefebvre - Michael Davies 6:15 da noite. Saio da estação de metrô e a primeira coisa que noto é o som do sino da igreja badalando triunfantemente, imperiosamente sobre o barulho do trânsito da hora do rush e das multidões apressadas em seu caminho para casa. Dentro de momentos, vejo a igreja da qual o sino está badalando — é a Igreja de Saint Nicholas du Chardonnet, a igreja onde ocorreu um milagre. Um milagre? Il ne faut pas exagérer, diz o Francês. “Não se deve exagerar”. Mas isso não é exagero. Até o primeiro Domingo da Quaresma ela foi uma típica de muitas paróquias de Paris. Menos de 100 dos fiéis assistiam todas as Missas celebradas aos domingos. Aquela que fora uma vez uma bela igreja tinha uma aparência suja e dilapidada. As assembléias de domingo, como a Missa agora é chamada na França, eram celebradas numa mesa colocada sob um palanque coberta por um material vulgar violeta. O altar fora abandonado — aparentemente, para sempre.



Durante a última Missa da manhã do Primeiro Domingo da Quaresma o milagre começou. O punhado de fiéis começou a crescer. Lentamente, mas claramente a igreja começou a lotar. Em pouco tempo estava cheia. Os fiéis estavam de pé nos corredores. Um dos padres não pôde esconder seu espanto.



“Quem são vocês? Por que estão aqui? Nós lhes damos boas-vindas com alegria”.



“Vamos esperar que você esteja alegre em poucos minutos”, respondeu um leigo.



“Por que? O que você quer dizer?”, perguntou o clérigo.

Ele logo descobriria.



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II








Através da porta principal da igreja entrou uma triunfal procissão. Precedida por uma cruz vinha uma longa fila de fiéis liderados por um bom número de padres, dos quais três estavam vestidos prontos para Missa — que seus nomes sejam conhecidos e venerados: M. l’Abbé Juan, sub-diácono; M. l’Abbé de Fommevault, diácono; Monsignor Ducaud-Bourget, celebrante — um padre com mais de oitenta anos de idade, uma figura patriarcal com longos cabelos brancos, um padre que parecia ser a reencarnação do Curé d’Ars. Entre os outros padres estavam M. l’Abbé Coache, expulso de sua paróquia pelo crime de organizar uma procissão em honra do Santíssimo Sacramento.



Por anos agora esses santos padres vêm celebrando uma série de missas a cada domingo na Salle Wagram, uma sala dilapidada próxima ao Arco do Triunfo. Eles imploraram e suplicaram, usaram toda aproximação possível das autoridades civis e religiosas para lhes ser concedido o uso de uma igreja para celebrar suas missas — mas em vão. A missa que eles queriam celebrar era a Missa codificada pelo Papa São Pio V — e a celebração desse tipo de Missa é a única e exclusiva forma de atividade que é total e absolutamente verboten na Igreja Francesa. A presente situação foi perfeitamente expressa pelo Pe. Henri Bruckberger, capelão geral da Resistência Francesa:Hoje a um padre é permitido emprestar sua igreja para o uso de muçulmanos ou budistas, tibetanos ou patagonianos, hippies, papuanos ou não papuanos, rapazes, moças, pelos ambígüos, pelos ambivalentes, ambidestros, anfíbios e nômades — mas se um pobre padre deseja celebrar a Missa para a qual aquela própria igreja foi construída (e não pela hierarquia, mas pelo próprio povo), e se o povo Francês quer ir até lá assistir a mesma Missa que foi dita naquele lugar por séculos, então a completa fúria do episcopado Francês cai sobre eles“.



Mas pelo primeiro Domingo da Quaresma de 1977 tiveram o suficiente — mais do que o suficiente. A assistência na Salle Wagram– 8000 a cada domingo — mais que passava qualquer outro lugar de culto em Paris, incluindo a Catedral de Notre Dame. Por que, eles se perguntaram a si mesmos, padres e povo igualmente, por que eles deveriam rezar numa sala pública pelo único crime de permanecerem fiéis à fé de seus pais?



“Com que direito você vem aqui?”, perguntou um dos padres da paróquia.



“Nós vimos”, respondeu Mons. Ducaud-Bourget (e não seria razoável clamar que isso foi inspirado?) “in Nomine Domini”.



Os apóstolos do progresso estão temporariamente abismados; antes de perceberem o que estava acontecendo, seu palanque e sua mesa foram relegados a um canto da igreja e uma Missa Solene está sendo celebrada no altar. Mas os apóstolos do progresso não permecem abismados por muito tempo. Militantes de campanha contra as estruturas sociais opressivas, advogados da participação leiga — o que eles podem fazer? A resposta é simples. Chamar a polícia. Eles o fazem sem hesitação. A polícia chega: “Expulsem aquelas pessoas da igreja“.



“Mas eles estão dizendo Missa e rezando. É para isso que serve uma igreja!”. Sai a polícia. Os apóstolos do progresso estão mais uma vez abismados.



E assim foi.

Os tradicionalistas vieram; rezaram; ficaram. E lá eles estão ainda.



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III



Os progressistas se agarraram à sacristia por alguns dias, e numa ocasião fizeram um determinado contra-ataque que não foi bem-sucedido. A violência resultante fez, por um tempo, lançar uma sombra sobre o que fora um evento muito alegre. Mas agora eles cederam a igreja inteiramente aos tradicionalistas. Os fiéis têm uma igreja na qual eles podem assistir à Missa que fora celebrada em todas as igrejas de Paris antes da “renovação litúrgica” que foi seguida, como admitiu o Cardeal Marty, Arcebispo de Paris em 1977, por um declínio de 54% na assistência da Missa pelos Parisienses.



Mas ninguém é tão determinado como um obstinado Liberal, e o Cardeal preferiria absolutamente não ter um único Católico assistindo Missa aos domingos do que permitir uma única celebração da Missa Tradicional.



Desde a ocupação, o Establishment liberal, liderado pelo próprio Cardeal Marty, empenhou uma série de medidas grotescas para o proveito da mídia – atitudes que poderiam apenas despertar diversão mais pelo desgosto trazido por sua hipocrisia cínica.



Mensagens de simpatia surgiram para o pobre pastor de Saint Nicholas e sua angustiada congregação (todos os sessenta ou setenta deles) que agora estavam sem lugar para rezar, sem lugar para ter encontros, instrução religiosa ou para seu grupo de escoteiros se reunir. O Cardeal está unido a eles em sua hora de pesar e perseguição, etc., etc., assim como são inumeráveis os valentes Liberais que expressaram sua solidariedade efusiva e publicamente. Ainda que a uma distância de uma pedrada [isto é, bem próximo] de Saint Nicholas esteja a imensa igreja de St. Sévrin — de fato, as duas já eram uma espécie de paróquia conjunta antes da ocupação. Novamente, como resultado do declínio na assistência à Missa, não houve dificuldade em espremer o punhado de paroquianos de Saint Nicholas que optaram pela Nova Missa no amplo espaço disponível para as Missas Novas celebradas nessa igreja. Porém, e isso é muito importante, agora mais de duzentos paroquianos de Saint Nicholas estão assistindo Missa em sua paróquia a cada domingo — e os tradicionalistas podem provar isso. O Cardeal Marty reivindica ter a assinatura de 2.000 ultrajados habitantes da paróquia que estão consumidos de impaciência pelo retorno à sua igreja! Quando eu mencionei esse número aos organizadores da ocupação isso causou uma enorme explosão de risos. Para colocar isso brandamente (o que eles não fizeram), eles sugeriram que a quantia do Cardeal poderia estar de alguma forma (e mais do que de alguma forma) exagerada. Por interesse próprio, eles estão mantendo uma lista dos paroquianos que expressamente assinaram uma petição pedindo que a igreja fosse deixada nas mãos dos tradicionalistas, e em cada caso uma fotocópia do documento de identidade do assinante foi obtida para provar que a pessoa interessada é um paroquiano genuíno. Essa petição foi assinada até agora por mais de 50.000 simpatizantes — não só de Paris, mas de todo o mundo. Fiquei muito honrado em adicionar a minha própria em 12 de abril.



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IV



De maneira nada surpreendente, o Cardeal Marty não está contente em deixar a situação como está. Uma ordem judicial foi obtida dizendo que os tradicionalistas podiam ser expelidos por um oficial de justiça, pela polícia ou pelos militares, se necessário. Uma data foi dada, mas foi seguida por um prazo de execução até depois da Páscoa, para que toda a liturgia da Semana Santa pudesse ser mantida (talvez o próprio juiz desejasse assistí-la). Esse prazo expirava em 11 de abril, segunda-feira, e foi com alguma trepidação que eu fiz minha primeira visita à igreja por volta das 8:15 da manhã de 12 de abril, após uma viagem por toda a noite desde a Suíça. Ao entrar na igreja, pensei que o pior tivesse acontecido enquanto ouvia um padre falando em Francês – mas tudo estava bem, ele apenas estava lendo o Evangelho. Foi uma grande alegria assistir Missa numa bela igreja antiga exatamente como fora celebrada antes do Concílio.

Depois da Missa, tive uma conversa com o celebrante e alguns dos jovens que estavam guardando a igreja. Eles então me convidaram para compartilhar um lanche muito simples de pão com manteiga mergulhado no café. Seria difícil imaginar jovens mais agradáveis e corteses; descobrir tal fervor e dedicação pela fé tradicional entre pessoas jo
vens em plena “Igreja Conciliar” é certamente um sinal de grande esperança. Todas as portas da igreja, exceto uma, estavam trancadas, e ao menos dois ou três rapazes sempre lá permaneciam em guarda. Eles trabalham em turnos – alguns ficando em guarda a noite inteira enquanto outros dormem num dormitório provisório. É uma calúnia monstruosa sugerir, como alguns jornais liberais (católicos e seculares) fizeram, que esses são jovens com uma predileção pela violência. Se alguma tentativa é feita para expulsar-lhes da igreja pela força, eles resistirão – mas se eles não são atacados, não existirá violência. Aqueles com quem conversei também me asseguraram que eles não resistiriam à polícia – apenas um ataque corporal por leigos progressistas.



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V








Mas a polícia e o judiciário deixaram bem claro que estão relutantes em tomar qualquer ação direta. Monsieur Jean Guitton, um proeminente escritor católico, membro da Academia Francesa e amigo íntimo do Papa Paulo VI, foi apontado como mediador. Mas os tradicionalistas não sairão ao menos que se lhes ofereça uma igreja própria. Após oito anos de exílio, eles estão determinados a rezar em igrejas de agora em diante. Se forem expulsos, simplesmente ocuparão outra igreja, e o processo legal terá que começar novamente – a Catedral de Notre Dame foi mencionada.



Asseguraram-me que, se eu quisesse experimentar a verdadeira atmosfera de uma paróquia tradicionalista, eu deveria ir à noite – o que explica o motivo de, às 6:15 PM, eu sair da estação de metrô Maubert-Mutalité para ouvir os sinos de Saint Nicholas chamando os fiéis para rezar. Mesmo em dias de semana há missa às 8, 12, 17 horas (seguida de Vésperas e Benção) e 18:30. Entrei na igreja durante a Benção bem em tempo de ouvir o Papa Paulo VI ser rezado pelo nome. Isso também foi feito durante as celebrações de Sexta-feira Santa em Ecône, onde estive quatro dias antes. Um coral verdadeiramente maravilhoso estava cantando – descobri depois que eles se reuniram espontaneamente; eles cantam nas Vésperas, Benção e na Missa todos os dias e aos domingos em várias Missas. Toda noite seus membros ficam até tarde a praticar e expandir seu repertório já impressionante – o aspecto mais marcante do coral (além de seu talento) é a sua juventude.



A igreja suja e dilapidada que existia antes da ocupação foi transformada – com amor e a fundo. A igreja foi lavada e estátuas de mármore que aparentavam quase pretas de imundice estão agora positivamente resplandecendo de brancura. Há flores em todas as capelas laterais, velas queimando diante das imagens, o altar-mor em particular está incandescente com velas e quase encoberto de flores. O altar-mor em todas as igrejas é o símbolo de Cristo, e nessa Semana Santa é o mais dramático símbolo da ressurreição da fé da Igreja de Cristo em Saint Nicholas. O altar parecia realmente estar morto, abandonado para sempre, a nunca ser usado novamente, e aqui estava ele, triunfantemente ressuscitado, radiante de luz e alegria Pascal – com a mesa Cranmeriana [ndt: referência ao Arcebispo Cranmer, idealizador da reforma litúrgica na Inglaterra após o cisma de Henrique VIII] e seu palanque colocados de lado, competentemente simbolizando a derrota da Igreja Conciliar.



A missa começou. Foi celebrada pelo próprio Mons. Ducaud-Bourget. Cantada, e belamente cantada. No Sanctus, em particular, o eterno canto preencheu e ecoou pelos arcos dessa antiga igreja, como fizera por séculos. O Concílio podia nunca ter ocorrido.



Uma senhora andava, de capela em capela, regando os vasos de flores com amável cuidado. A todo segundo um indivíduo ou um grupo de pessoas vinha até a igreja. Alguns ficavam para a missa, outros apenas rezavam por alguns momentos antes de sair. Muitos eram jovens, mas alguns eram velhos – e quão felizes essas pessoas velhas eram. Aqui estava a fé em que foram educados a conhecer e a amar; aqui estavam suas devoções tradicionais inteiramente intocadas. Dentro da igreja de Saint Nicholas du Chardonnet é como se o tempo permanecesse ainda em 1962.



Um grupo de seminaristas de Ecône entrou por alguns minutos. Eles deixaram o seminário para sua folga de Páscoa. Eram um lembrete encorajador de que o ressurgimento tradicionalista na França não é um fenômeno temporário dependente de alguns poucos padres velhos. Para cada padre velho que permaneceu fiel à Missa de sua ordenação existia um jovem padre ou um seminarista pronto para juntar-se a ele, e eventualmente substituí-lo. E para cada pessoa velha que claramente tem Saint Nicholas como o céu na terra existe um jovem que descobriu o que a fé Católica foi um dia, e não está determinado a aceitá-la de outra forma.



E o milagre de Saint Nicholas du Chardonnet – ele continuará? “Reze por nós. Reze por nós para que isso continue”, disse uma senhora, agarrando meu braço em seu fervor. “Peça a todos que rezem por nós”.

Como uma nota de rodapé irônica nessa reportagem, e um sinal significante dos tempos em que vivemos, descobri ao ler a edição de 9 de abril do The Tablet, após meu retorno a Londres, que o Cardeal Marty convidou todo Anglicano que estiver visitando a França para receber a Santa Comunhão nas igrejas Católicas se eles não puderem recebê-la numa igreja Anglicana. Parece que o Cardeal Arcebispo de Paris precisa de nossas orações muito mais que os tradicionalistas membros de seu rebanho.



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VI








Uma reportagem no The Times



Por uma interessante coincidência um repórter do The Times visitou Saint Nicholas no mesmo dia. Mostraram-me uma cópia de sua reportagem dias após a minha ter sido despachada ao The Remnant. Essa reportagem refere-se à tentativa de mediação pelo senhor Jean Guitton, da Academia Francesa. Ela apareceu na edição de 13 de abril de 1977.



Ocupantes de igreja ignoram ordem



De Charles Hargrove



Paris, 12 de abril.



Os tradicionalistas Católicos Romanos que ocupam a igreja de St. Nicholas du Chardonnet, no Quartier Latin, desde 27 de fevereiro, esperavam resistir à expulsão hoje. Mas nenhum policial apareceu para cumprir a decisão da corte de Paris de 1º de abril, que lhes deu 10 dias para deixar voluntariamente ou ser expulsos à força se necessário.





As portas principais estavam trancadas contra qualquer ataque surpresa. Alguns poucos jovens visivelmente determinados, vestindo um distintivo do Sagrado Coração, controlavam a entrada pela porta lateral.



Dentro da escura igreja não existia sinal de tensão. Algumas dúzias de fiéis idosos e poucos seminaristas de Ecône, seminário de Mons. Lefebvre, o antigo Arcebispo de Dakar, ajoelhavam-se em oração diante do altar-mor, reinstalados em seu papel pré-conciliar. A hóstia estava exposta num ostensório em meio a uma profusão de flores e velas.



A “mesa de cozinha” no transepto, que desalojou o altar principal na nova liturgia, foi removida.



Uma firme corrente de pessoas entrava, pedindo informações sobre cerimônias e colocando seus nomes na lista de observadores ou doadores de ofertas em apoio à causa tradicionalista.



Cadeiras estavam sendo arrumadas nos corredores de uma das capelas laterais para uma palestra de teologia para denunciar os caminhos da igreja moderna, que se seguiria à missa da noite, na qual Mons. Ducaud-Bourget, o instigador e organizador da ocupação de St. Nicholas, prega.



Nunca houve qualquer possibilidade de ser usada a força para pôr um fim à ocupação da igreja. A corte de Paris que a julgou ilegal e autorizou o pároco, Padre Bellego, a chamar a polícia para cumprir o julgamento, também indicou seu desgosto por tal solução.



Isso, disse o presidente da corte, “criaria uma situação desagradável para todos os envolvidos”. Ele apontou um mediador, Sr. Jean Guitton, da Academia Francesa, o filósofo Católico, a quem foi dado três meses para produzir um relatório.



Depois de encontrar Mons. Ducaud-Bourget, Padre Bellego e o Arcebispo de Paris, Cardeal Marty, sr. Guitton esteve em Roma na última semana para obter a aprovação do Vaticano para uma solução amigável, que o Cardeal Marty recusa a ponderar.



O Cardeal disse recentemente que permitir aos tradicionalistas ter uma igreja própria onde eles possam rezar como quiserem seria chegar a dar aprovação oficial a um cisma.



Amante da tradição, sr. Guitton é também um amigo próximo do Papa, que publicamente o desejou imediato sucesso em seus esforços na Segunda-Feira de Páscoa.



Padre Serralda, um dos quatro ou cinco padres tradicionalistas que atende às necessidades da nova congregação, me disse: “Muitos católicos hoje estão em profunda agonia. Eles não entendem o que está acontecendo em sua Igreja. Os textos conciliares são como as decisões do Papa Paulo VI – são ambíguos. Tudo que pedimos é que todos os ritos e ensinamentos da Igreja devam respeitar a doutrina Católica”.

“Não somos um partido na Igreja. Estamos batalhando pela Igreja, não por nós mesmos. A obrigação de rezar a Nova Missa é baseada numa interpretação abusiva. Ela atribui às ordens papais a mesma autoridade das leis da Igreja, como a Bula de 1570 de Pio V determinando irrevogavelmente para sempre a liturgia da Missa”.



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VII



Fatos e a Verdade



O relato dos eventos em St. Nicholas que apareceu em The Times foi, de maneira geral, justo e factual, e é evidente que seu repórter, Charles Hargrove, estava fazendo todos os esforços para ser objetivo. Mas a matéria abaixo indica a extensão em que uma matéria factual não transparece necessariamente a verdade de uma situação. O porquê disso será explicado depois de reproduzirmos a matéria que apareceu na edição de 24 de abril de 1977.



Oferta a ocupantes de Igreja é rejeitada



De Charles Hargrove – Paris, 22 de abril de 1977.



O Cardeal Marty, Arcebispo de Paris, fez um gesto de conciliação aos tradicionalistas que ocupam a igreja de Saint Nicholas du Chardonnet desde o fim de Março.



Ele ofereceu-lhes outro lugar para rezar até 4 de julho, quando o senhor Jean Guitton, o filósofo Católico Romano indicado como mediador por uma corte em 1º de abril, apresentará seu relatório. Acrescentou que essa oferta de maneira alguma implicava num reconhecimento de suas reivindicações.



A igreja, mais exatamente St. Marie-Médiatrice, fica na periferia, próximo à Porte dês Lilas, norte de Paris. Esteve sem ser usada por mais de cinco anos, desde a construção do anel viário de Paris. Foi construída pelo Cardeal Suhard, arcebispo da época da ocupação Alemã, como resultado de um voto de erigir um local de culto se Paris fosse poupada da destruição.



O Cardeal Marty anunciou a concessão desta igreja aos tradicionalistas depois de chegar a um acordo com o Sr. Guitton, que relembrou numa declaração na última noite que a data limite estipulada pela corte para a evacuação de St. Nicholas foi prolongada por uma semana até ontem, a seu pedido.



Mas a oferta foi rejeitada na noite de ontem por Mons. Ducard-Bourget, um dos líderes dos tradicionalistas, que disse que processaria o Cardeal perante as autoridades eclesiásticas.



Por 10 anos somos tratados com desprezo”, disse. “Os fiéis de ao menos cinco paróquias vêm às nossas celebrações. Está fora de questão a nossa transferência para uma das mais distantes igrejas de Paris. Que as forças da lei e da ordem venham e nos ponha para fora”.



Numa conferência de imprensa nesta manhã nos escritórios do arcebispo, Mons. Georges Gilson, um bispo auxiliar, expressou seu lamento por esta “oferta generosa” ter sido rejeitada. O Cardeal a fez em “espírito de paz”.



Além do problema jurídico criado pela ocupação de St. Nicholas, o Cardeal estava muito mais preocupado com o conflito religioso no qual os líderes tradicionalistas se opunham à hierarquia Católica, ao Papa e ao Concílio.



Se Mons. Ducaud-Bourget persistisse em sua recusa de deixar a igreja, a justiça tomaria seu curso. Um oficial viria relatar o fato e o braço secular então atuaria como julgasse necessário. Mas parece muito improvável que a força seja usada para expulsar os tradicionalistas.



Mons. Gilson disse que os líderes dos tradicionalistas terão que arcar com suas responsabilidades.



A verdade por detrás dos fatos



A razão pela qual os tradicionalistas rejeitaram a “oferta generosa” do Cardeal Marty é que ela não era em nada uma oferta generosa, e que ele [o Cardeal] deve ter percebido, antes de fazê-la, que eles a julgariam totalmente inaceitável.



A igreja, como nota a reportagem, esteve desativada por cinco anos desde a construção do anel viário de Paris. Se poderia chegar até ela apenas cruzando uma via (freeway) a pé. A área em torno da igreja também é uma das menos salubres em Paris, onde assaltos são predominantes. Também está numa das localizações mais inconvenientes, bem ao norte de Paris, em vez de ser central como é St. Nicholas. Um bom número de Católicos idosos agora reza em St. Nicholas, e ter que pedir a eles que mudem para St. Marie-Médiatrice era uma proposta totalmente impraticável, tão fora da realidade que não se poderia tê-la feito com qualquer expectativa de ser aceita.

Esta é a verdade que os fatos citados na matéria não revelam.



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VIII








A Tradição Restaurada e a Nova Missa



Por Louis Salleron



O jornal Francês Le Monde de 22 de abril de 1977 publicou esta entre outras cartas que diz ter recebido a respeito da “ocupação” da Igreja St. Nicholas du Chardonnet, em Paris. Le Monde disse que estas cartas “são particularmente reveladoras do ponto de vista de certos Católicos que até agora tiveram pouca oportunidade de expressar-se em público“. Segue a carta do Professor Salleron:





Os argumentos trazido pelos opositores da Missa de São Pio V podem ser reduzidos, em última análise, a um único ponto: São Pio V, dizem, estabeleceu um rito por sua Bula Quo Primum de 1570. O que um Papa fez um outro pode desfazer; conseqüentemente, o novo rito aprovado por Paulo VI em sua Constituição Missale Romamum de 1969 ab-rogou o rito anterior.



Apresentar a questão dessa forma é estar errado desde o começo. Para começar, existe uma diferença essencial entre a Bula de São Pio V e a Constituição de Paulo VI. Pio VI não criou um novo rito. O que ele fez foi autorizar um texto baseado em pesquisas de estudiosos de muitos anos, e que então lhe parecia carregar a melhor garantia de autenticidade. Era o rito tradicional em toda a sua pureza que ele restaurou, depois séculos durante os quais versões defeituosas se tornaram comuns num número de dioceses. Tão grande era seu respeito pela tradição que, apesar de sua Bula formalmente proibir o uso dos ritos defeituosos, ele expressamente reconheceu e permitiu o uso de qualquer rito que pudesse provar uma certa tradição de, no mínimo, 200 anos. Numa palavra, sua intenção e sua realização era a restauração dos ritos de Missa tradicionais e, em particular, do primeiro dentre eles, o rito Romano. Por contraste, o que Paulo VI fez foi dar sua aprovação a um novo rito – Novus Ordo Missae – o que é uma coisa totalmente diferente.



Paulo VI, é dito, tinha o direito de fazer isso. É claro que tinha. E então (o argumento continua) o rito antigo foi abolido. Não é assim. Pois em sua Constituição o Papa não ab-roga o rito tradicional; ele não proíbe seu uso muito mais do que ele faz o novo rito obrigatório.



É a vontade do Papa de que o novo rito deva substituir o antigo e que este deva desaparecer? Não há dúvidas de que este é o seu próprio desejo, mas não é (no sentido legal) sua VONTADE como Papa, que ele poderia apenas expressar em uma e através de uma Constituição solene, tal como Missale Romanum. Ademais, mesmo no mais urgente de seus discursos (Alocuções), ele nunca invocou sua autoridade como supremo legislador, nem a aplicou para dar efeito à sua vontade a respeito da Missa; tal exercício iria requerer, em todo caso, uma forma diferente daquela de um Discurso. O mais “imperioso” de seus textos sobre o assunto é sua Alocução Consistorial de 24 de maio de 1976, e esta meramente se refere a uma Instrução (ou melhor, Notificação) de 14 de junho de 1971. Agora, neste contexto, uma Instrução não tem maior peso que uma Notificação ou mandado; nenhuma delas tem a autoridade de uma “Constituição Apostólica” ou poder para modificá-la. (Agir assim seria como se, em termos políticos Franceses, um decreto executivo ou mesmo uma Lei aprovada pelo Parlamento modificasse a Constituição da República).



Pode-se acrescentar que na Bula Quo Primum, São Pio V concedeu um indulto individual para todos os padres, permitindo-lhes celebrar o rito que ele acabara de autorizar, acima de qualquer decisão em contrário, mesmo das autoridades judiciais competentes. Este indulto perpétuo pode apenas ser ab-rogado por um novo e de igual autoridade especificamente dirigido a este fim.



O Cardeal Ottaviani estava então plenamente justificado quando me disse pessoalmente em Whitsun, em 1971 – muitos meses depois da promulgação do novo rito: “O rito tradicional da Missa, conforme o Ordo de São Pio V, não foi, de meu conhecimento, abolido. Conseqüentemente, os ordinários locais (i.e., os bispos), especialmente se estão preocupados em proteger o rito e sua pureza, e até para garantir que ele continue a ser entendido pelo corpo daqueles que assistem Missa, faria bem, em minha humilde opinião, de encorajar a permanente conservação do rito de São Pio V…”. Note que ele não diz “faria bem… em autorizar o rito”, mas “encorajar a… conservação do rito”; o rito, não tendo sido nem abolido nem proibido, não tem necessidade de autorização.



Na prática atual, os bispos de fato proíbem o uso do rito de São Pio V. Mas sua proibição é em si mesma ilegal, e esta ilegalidade seria proclamada abertamente como tal não estivessem as estruturas legais Romanas em total decomposição.



Padres e pessoas leigas comuns não olham tão longe. O que eles podem ver é que qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa, é permitida no modo das “celebrações” – qualquer coisa, exceto a Missa de São Pio V. Como eles sabem, também, ou como seus instintos lhes contam, que a nova Missa foi construída numa intenção ecumênica: isso é dizer que nela a noção de Sacrifício Eucarístico é diminuída o máximo possível, a fim de fazê-la aceitável aos Protestantes, que estão em revolta.



Por detrás do affair de St. Nicholas du Chardonnet (em Paris) aparece gradualmente todo o problema da Missa Católica. Este problema ainda está para ser resolvido.



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Fim


St. Nicholas du Chardonnet – Dois meses depois



Apesar do fato de Mons. Ducaud-Bourget ser sagaz o suficiente para esquivar-se das emboscadas feitas contra ele pela “oferta generosa” do Cardeal Marty, ele logo percebeu que permanecer em St. Nicholas trazia seus problemas, nomeadamente que, apesar de ser muito grande, ela em breve seria incapaz de acomodar os milhares que desejavam rezar lá todos os Domingos. O resultado foi que a Missa tinha que ser celebrada uma vez mais na Salle Wagram. Isso é tratado num extrato de um artigo do Professor Thomas Molnar que publicamos abaixo. Professor Molnar também menciona a simpatia ao clero tradicionalista e aos paroquianos de St. Nicholas mostrada pela polícia. Parece que numa ocasição uma delegação de clérigos progressitas (em roupas civis, naturalmente) foi à principal delegacia da área para demandar que o delegado responsável explicasse porque nenhuma ação fora tomada para expulsar os tradicionalistas da igreja. Eles foram informados pelo sargento de plantão: “Vocês não podem encontrá-lo agora, ele está assistindo Missa em St. Nicholas“.



O relato da visita do Professor Molnar a St. Nicholas apareceu originalmente em New Oxford Review e foi republicado em The Remnant de 17 de janeiro de 1978.



Uma entrevista com Mons. Ducaud-Bourget



No último mês de abril, Ecône recebeu alguns importantes aliados, um deles na pessoa de Mons. Ducaud-Bourget, o padre-poeta, e os milhares de pessoas que ajudaram-no a tomar a Igreja de St. Nicholas du Chardonnet num dos mais antigos quarteirões de Paris. O leitor pode agora falar de ”violência”. Mas esta é a França. São Bernardo era violento, também eram Joana Darc, Bossuet e Bernanos. Assim era Jesus Cristo ao expulsar os vendedores do templo. Por anos, os “tradicionalistas” imploraram ao Cardeal Marty por uma igreja onde a Missa de Pio V (Missa Tridentina) pudesse ser celebrada; o Cardeal, fechando seus olhos à profanação da Catedral de Rheims por atos sexuais de hippies e à celebração Budista na Catedral de Rennes, deixou os peticionários sem resposta. Na última Páscoa eles entraram em St. Nicholas, esclareceram que apenas a antiga Missa Latina seria celebrada e que não eles não sairiam até que uma igreja fosse oficialmente oferecida a eles como uma morada permanente. Para maior ênfase, eles montaram uma guarda permanente de várias dúzias de jovens para manter do lado de fora os criadores de problemas. Esses jovens, todos fazendo sacrifícios financeiros ao deixar seus trabalhos ou estudos pela duração do “cerco”, conduzem os fiéis, mantêm um olho na rua, e fornecem proteção à meia dúzia de padres celebrando Missa.



Visitei St. Nicholas no domingo, 12 de junho deste ano. Era às 11 da manhã, pessoas estavam saindo em massa, com seu caminho praticamente bloqueado por uma massa similar de pessoas esperando para entrar para a próxima celebração. A multidão na praça em frente à igreja era enorme, esperando para a missa do meio-dia. Antes da entrar, conversei com vários policiais nos arredores. Sem exceção eles simpatizavam com os “ocupantes”, parte pelas antigas bases religiosas, parte por fundamentos políticos. “É duvidoso“, me contou um jovem policial, “que se ordenado a evacuar a igreja meus homens obedeceriam. Mas de qualquer forma, que político ousaria dar tal ordem, e certamente não fará Chirac, o novo prefeito? Além disso, se Mons. Bucaud-Bourget pessoalmente permanecesse em nosso caminho, nós não o tocaríamos, nem mesmo aquilo ou aqueles que ele proteger“.



Depois da Missa, fui recebido pelo Monsenhor numa sala da sacristia. Estamos na França! Ele tem 84 anos, tão vivo como uma enguia, cabelos brancos aos ombros, unhas cumpridas como um mandarim, e um cachimbo nos lábios. Seu modos e sua fála poderiam ser colocadas em algum lugar entre as eras de Luis XIV e Luis XV. Primeiro nós conversamos de doutrina e filosofia, o que fora facilitado pelo fato de termos lido alguns dos escritos um do outro, eu sua poesia — poesia que acaba de receber uma entusismada resenha no Osservatore Romano onde os editores não perceberam que o poeta Ducaud-Bourget e Mons. D-B são a mesma pessoa! Enorme embaraço uns poucos dias depois e repulsiva reviravolta. Tanto para mesquinharias…



O Monsenhor acabara de chegar da Salle Wagram onde rezou missa diante de 800 pessoas que não puderam ir a St. Nicholas naquela manhã. Em outras regiões da França, igrejas são da mesma maneira ocupadas por aqueles a quem os novos inquisidores orgulhosamente descrevem como um punhado de velhos ou alguns reacionários. Cuidadosamente examinei a multidão dentro e fora da igreja: todas as faixas etárias estavam representadas; é claro, se eles eram reacionários não me era possível discernir.



O Monsenhor me contou sobre as mentiras intermináveis, promessas descumpridas, ameaças e opressões da parte do Cardeal Marty, seus burocratas e do Vaticano. Graças a Deus pelas brutais leis anti-igreja de 1905: todas as propriedades eclesiásticas foram então confiscadas pelo Estado, de modo que hoje o Cardeal é incapaz de mandar suas tropas de choque para reocupar St. Nicholas; e como vimos, o Governo e a Municipalidade preferem não tocar nesta batata quente, por medo de dividir seu eleitorado. Mons. Ducaud-Bourget conseqüentemente está confiante de que nada acontecerá. Nós então conversamos sobre a recente decisão judicial (processo movido pelo curé regular da igreja) de pedir ao filósofo Católico Romano, Jean Guitton, supostamente imparcial, a intermediação entre a Arquidiocese e os ocupantes. Guitton é um homem bobo e oportunista, me contou Mons. Ducaud-Bourget; ele não quer colocar em risco seu status de biógrafo de Paulo VI. Com tudo isso – me foram mostradas cartas – Guitton expressou sua “déférence sympathique” a Mons. Ducaud-Bourget, e chamou seu próprio papel como mediador de uma maravilhosa oportunidade para encontrá-lo. Então fiquei surpreso em ler na entrevista do Express com Guitton (Julho passado) seus comentários depreciativos sobre a posição vis-à-vis de Lefebvre com o Papa como a de um General Argelino da O.A.S. vis-à-vis com De Gaulle. Uma comparação ridícula e nem mesmo lisonjeira – depois da qual se pode falar com desprezo também da inteligência de Guitton.



De toda forma, a “mediação” está parada, mas por enquanto o “Caso” está expandindo e mais “aliados” estão se juntando a Lefebvre. Em junho passado a Princesa Pallavicini abriu seu palazzo em Roma para 1500 convidados para ouvir o Arcebispo re-explicar muito simplesmente que ele não renunciaria sua fé de 2000 anos. “Não quero morrer um protestante”, disse. Existia uma ovação indescritivelmente fervente, não apenas dos convidados nos salões, mas também das pessoas sentadas nas escadas e a multidão do lado de fora que ouvia por alto-falantes as palavras de Lefebvre.



O Vaticano considerou isso como uma outra provocação – levar a “oposição ao Papa” para dentro de uma distância ao alcance de sua voz. O vigário do Papa (como Bispo de Roma), Cardeal Ugo Poletti, atacou a Princesa num comunicado de imprensa – ao qual ele recebeu uma declaração em resposta na altura de “se preocupe com seus próprios negócios, eu recebo em minha casa quem eu quero”. O “se preocupe com seus próprios negócios” é uma advertência absolutamente apropriada, já que Roma agora tem um Prefeito “companheiro-viajante” eleito da lista Comunista.



Saint Nicholas Hoje



Os leitores que querem participar do “milagre de Saint Nicholas” durante uma visita a Paris devem tomar o metro para a estação Maubert-Mutualité, que é adjacente à igreja. Todas as antigas igrejas e catedrais na França pertencem ao Estado, que é responsável pela manutenção de seu exterior. É muito significativo que desde a libertação de St. Nicholas uma grande quantidade de trabalho foi feito no exterior do prédio pelas autoridades civis para complementar a renovação interior feita pelos paroquianos. Apesar das autoridades diocesanas, que não aceitarão a legalidade da presente situação ou de que ela tenha qualquer base permanente, é claro que as autoridades civis não têm a mínima intenção que seja de expulsar os tradicionalistas. St. Nicholas agora permanece como uma ilha da tradição Católica, e, realmente, de sanidade, no mar de Modernismo e banalidade litúrgica.



(Apologia pro Marcel Lefebvre vol. II, The miracle of St. Nicholas du Chardonnet, Angelus Press, 1983)



Extraído do site http://fratresinunum.com/2008/06/23/o-milagre-de-st-nicholas-du-chardonnet-apresentacao



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